sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Ê saudadee viiu?
Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua,
dói cólica, cárie e pedra no rim.
Dói pisar num caco de vidro Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia está trabalhando numa praia e ela em outra, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se a noite.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba
Não saber se ela ainda usa aquelas penas no cabelo
Não saber se ele está usando o protetor solar pra trabalhar
Se aprendeu a entrar na Internet.
Se ela deixou de ter medo de inseto,
Se ele continua indo ao luau
Se ela continua preferindo água com gás;
Se ele continua dançando com aquele sorriso no rosto;
Se ela continua fritando daquele jeitinho
Se ele continua tocando gaita intensamente;
Se ele continua amando;
Se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música (várias músicas);
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer;
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo, e o que você
provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...
Miguel Falabella
Adaptação: Milla Prtz
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Poema " T "
O mar é aquele que sem medo ou dó, engoliu Isabel como uma tempestade
Na areia do mar, ela conheceu a história da vida
Nas profundezas, compreendeu o que foi Adão e Eva
A voz de Isabel ensurdecia os peixes que passavam por perto e contemplavam aquela cena!
Sem querer, a velocidade e a força do mar começou a aumentar,
Deixando Isabel completamente louca
Minutos depois aquela jorrada,
E lá estava, Isabel deitada na areia da praia...
Olhando o mar na espera de uma nova tempestade.
By: Milla Prtz
domingo, 2 de novembro de 2008
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Arnaldo Jabor
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Memorial CEFET
Certidão de Nascimento
Vi crescer ao decorrer dos anos uma Camila, que não é Hanna nem Sampaio, nem Prates, muito menos Simões. Papai e mamãe nunca me incentivaram a ler, então eu não pensava. Logo, eu não existia. Existia, está no pretérito, não é perfeito? A tia do ABC me ensinou. Hoje insisto que existo! E se existo não foi através da perfeição do pretérito nem a análise da mórfo. Foi por não ter deixado mofar meu amor na prateleira, que encontrei a razão do existir.
Me disseram que os meus primeiros passos foram dados quando eu tinha apenas 9 meses de idade, que equívoco! O primeiro passo foi quando conheci o Pequeno Príncipe, ele me levou a lugares que nunca imaginei alcançar. O próximo passo foi na Direção do Oriente, onde o sol batia todo dia na janela do quarto de Soraya, uma jovem judia que vivia na Iugoslávia. No terceiro passo encontrei Poliana eu a vi menina e moça, e fui andando sem pensar em voltar e sem lembrar do que me aconteceu, ouvia sempre a Rita Lee a cantar e foi assim que a Camila cresceu.
E ela andou, andou, andou... E quando chegou lá diante, encontrou O Grande. Ele parecia faminto e sedento, como um leão em busca da presa. O Leão lutou comigo para expulsar Alien, o predador, que um dia duvidou que a fé menina, pudesse ocupar o seu lugar na sociedade, e para provar isso aqui estou. Há quem diga que as analogias são inúteis. E na cara mais dura pergunto: O Alien andou te comendo?
Se o Alien comeu eu não sei, mas com o passar do tempo, quem andou me comendo foi o tempo, comendo frio, ainda por cima. Serei sempre grata ao tempo, através dele aprendi o verdadeiro brilho do espelho, provei das doces jabuticabas, aprendi que com o tempo eu aprendo que tudo que eu sei pode morrer, numa transversal do tempo. Tempo, tempo, tempo.
Assustei-me quando vi aquela legião de gente urbana, chorar de fome, gritar por igualdade e clamar por justiça. O sujeito não era passivo, sempre ativo. Ferréz em nome da Legião Redondo, montava o manual prático do ódio em busca do amor. E eu que não sou objeto, direto estava nas bricolagens, nas abordagens, nas discussões entre as melhores amizades.
O que os meus olhos viam, meu coração sentia, a cabeça sacudia e boca gritava!A boca, poderia estar de Rouge e meu Pai aí ó, só a reclamar, porque segundo Javé, quem usa Rouge na boca acaba indo pro vale, onde quem vai julgar não tem nada a ver com Nuremberg. Afinal a vida lá não passa de 7 minutos.
Tudo estava tranqüilo até que o Incidente aconteceu, e não foi em Antares não, foi na pacata e violenta cidade de Eunápolis. Que aprendi usar o paradoxo, que antes a Íntese só tinha uma META. Fora procurar a Lingüística, mas não deu a nímia. Assim com o decorrer do tempo, vi no espelho uma Camila Drummond Quintana Ferréz Paiva Fonseca Prado Lispector Veríssimo Meireles Fernandes Pessoa da Silva.
Análise de Capas

Abra o olho cidadão!
A busca pela imparcialidade na mídia, é uma utopia. Não há meios de comunicação que não expressem nenhum ponto de vista sobre os fatos, sendo apenas observadora e publicando as informações com absoluta objetividade. A maneira que a informação é transmitida, o tipo de publicação (capa, manchete, oradores, figuras, etc.) e a escolha da matéria, são critérios que provam a não neutralidade da mídia.
O cidadão compra todo dia na banca o seu jornal diário e o lê. Porém, prefere acreditar no que o livreto está redigindo do que pesar as informações e criar sua própria opinião. O resultado dessa atitude é uma sociedade alienada, presa aos interesses de quem redigiu a informação, cegando o olhar crítico do indivíduo.
A revista VEJA edição 2075, traz em sua capa a imagem do líder comunista chinês Mao Tse-Tung. A revista em sua imparcialidade política sempre mostrou aversão às práticas esquerdistas, fazendo em seus artigos críticas negativas ao comunismo.
É chocante ver o vermelho-sangue preencher a capa da edição do mês das olimpíadas de Pequim, com a face do comunista cortada ao meio. Seus miúdos olhos orientais estão sendo arregalados por um palito de fósforo, acompanhado de uma frase escrita com letras garrafais grandes: “ ABERTURA MADE IN CHINA” – Abertura feita na China –
Com o olhar livre das grades alienistas, vestindo a característica humana de pensar, questionar e criticar, podemos enxergar o trabalho ideológico da imagem da capa.
A cor vermelha é o grande símbolo do comunismo que por sua vez, luta a favor de uma sociedade sem classes, baseada na propriedade comum dos meios de produção. Podemos intertextualizar, “Abertura Made in China” pode remeter a três ou mais idéias: Abertura dos olhos do comunista quanto o modo de política no país, abertura da economia pirata da China ou até mesmo a abertura dos jogos olímpicos.
O palito de fósforo não está à toa na imagem, poderia ter sido colocado qualquer outra coisa no lugar, há que se pensar no fogo, matéria tão cobiçada pelo mundo capitalista que contradiz as práticas comunistas.
E para o desfecho da capa, uma outra frase: “ A vida em um país aonde a liberdade chegou à economia mas só Deus sabe se chegará à política. ” Então quer dizer que a política Chinesa esquerdista não é considerada política? Sendo assim, torna o nacionalismo como política absoluta. Fica comprovada a imparcialidade e a manipulação de idéias, tão bem esquematizadas pela mídia. Afinal de contas, os olhos enxergam o que a mente quer enxergar.
0800
0800
Sei que ainda é cedo, mas não é pra retardar o passo, quando nasci veio um anjo safado um chato de querubim e disse que em minha trajetória eu ia quebrar muito a cara, mas o passo eu não poderia retardar pois já era retardada. Como assim anjo insano? Retardado é... Antes que eu completasse a frase ele me explicou: Você está em um lugar onde as pessoas querem te cegar e te tardar, mas quem cedo ladra nunca tarda, por isso vim aqui te avisar!
Eram cinco da manhã de segunda-feira, Camila acorda! Primeiro dia de aula e você quer perder? Já não basta ter perdido de ano? Depois de uma dessa, se eu conseguisse dormir de novo era pesadelo na certa. Mas quem disse que eu perdia o humor? Achava em tudo uma graça, mas no final tudo custou muito caro!
A comédia tava boa não é? Mas chegou a hora de levar a sério. Sempre vi a escola como fonte de educação para o aluno. Mas qual educação? São tantas! Só de pirraça, desde aquele primeiro dia de aula eu nunca me atrasei, nem se quer um cochilo, nem pra piscar eu parei. Mas pra quê parar? Pra desobedecer ao anjo? Lá ele!
A Elisa Lucinda me disse que não devemos falar mal da rotina, e não é que ela tem razão? Essa rotina de não piscar, não respirar, como no anfiteatro me fez bem, me faz muito bem. É fácil e prático, basta deixar a mente ocupar sua posição de animal humano e pensar, pesar, questionar e agir. Ou seja, ler.
Ler o céu, o mar, os amigos, a boca, as viagens. Ler Pessoa, nem que seja nas Quintanas ou no oportuno Prado que é Veríssimo. Ler imagem e som mesmo que isso custe o tempo. Tempo Hiroshima, tempo Nagasaki ou tempo Auschwitz. O tempo da graça alheia aprendeu o limite.
Surgiu então o tempo do cultivo dos saberes e da construção da fantástica fábrica de textos. E nessa terra regar as amizades, podando as pragas que em meio à beleza do seu desenvolvimento insistem em te danificar. Satisfação, compromisso e responsabilidade nas atividades do Pomar Portuguesa, pois sei que vou colher os melhores frutos que alguém pode cultivar.
O INDIVIDUALISMO EM PROL DE TODOS
O INDIVIDUALISMO
Camila Prtz ¹
Vivemos na era da tecnologia e informação, em que o avanço tecnológico está cada vez mais rápido e complexo de acordo com as “necessidades” de cada dia. O transporte e a comunicação com qualidade, comodidade e velocidade, já não é mais complicado. Apesar de inegáveis avanços, o meio ambiente é diretamente afetado devido a essa evolução. Pesquisadores do clima mundial afirmam que a queima de combustíveis fósseis e a emissão de ozônio, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono formam uma camada de poluentes, estes gases absorvem grande parte da radiação infravermelha emitida pela Terra, dificultando a dispersão do calor − a essa ação denominamos efeito-estufa, que efetua uma brusca mudança climática, com secas, aumento no nível do mar, erosões, entre outros.
“O meio ambiente proporciona aos seres vivos, condições fundamentais para sobreviver.”
É preciso ar puro, solos férteis, clima apropriado e água potável. Não há avanço sem uma estabilidade ambiental. O comportamento compulsivo do ser humano na busca de produzir, criar e inovar implica na necessidade de explorar água, eletricidade, solos e matérias-primas. No entanto, muitas pessoas não conseguem compreender isso, agem de maneira ignorante e egoísta, praticando suas atividades socioeconômicas. Essas atividades desencadeiam um terrível desequilíbrio ambiental.
Até então, estamos falando de todo território mundial, mas se dirigirmos o nosso olhar exclusivamente para o Brasil, percebemos a presença de uma enorme biodiversidade − matas, florestas e abundante hidrografia. O Brasil é o único lugar do planeta que possui áreas nativas contínuas, que são o Pantanal e a Amazônia. Apesar de ter toda essa riqueza, o desmatamento para exploração de matéria-prima, visa o benefício imediato que isso pode trazer, ao invés de pensar sobre as conseqüências futuras que isso pode desencadear. Ao desmatar, é discriminada toda importância que essas matas possuem sobre a existência do seres vivos. Elas são capazes de regular o clima, abrigar biodiversidade, armazenar gás carbônico e diminuir o efeito estufa, protegem os solos, evitando assim o assoreamento dos rios e inundações, além de constituir habitat para os seres que possuem vida.
Segundo o IPCC ( Painel intergovernamental de mudanças climáticas), até 2080 de 10% a 25% da Floresta Amazônica poderá desaparecer, devido o aumento da temperatura. Cinqüenta por cento das florestas do planeta já foram consumidas, cerca de 38 mil hectares de florestas nativas são destruídas por dia. Felizmente, existem órgãos que cuidam da conscientização e educação ambiental, há também órgãos que amparam, previnem e punem as atividades relacionadas ao desequilíbrio ambiental. Essas instituições podem ser tanto não governamentais quanto do governo. Em nossa sociedade brasileira, a legislação de 1988 demonstrou esta preocupação com o meio ambiente no art. 225 da Constituição Federal, impondo ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
Portanto, é nítida a enorme dependência de uma base ecológica para os seres vivos, não podemos agir como se fôssemos à última geração aqui na terra. O individualismo humano em busca de interesses medíocres levou a uma crise ambiental que ameaça a todos, deixando de ser uma confusão interior de cada pessoa. Ou seja, para corrigir esse desequilíbrio a ação tem que partir de cada um, individualmente. Dessa maneira os seres humanos poderão repensar e recriar novos valores. Como diria o grande pensador Dalai Lama: “ Se não podemos modificar o nosso comportamento, como esperar que os outros o façam? ”
